Cartão do mercado vs cartão de banco: qual cobra menos
Você está no caixa do supermercado e a atendente oferece: “Quer fazer nosso cartão? Tem 15% de desconto hoje e você parcela sem juros”. Parece ótimo. Mas aí você pensa: será que esse cartão é mais barato que meu cartão de banco normal?
A resposta não é óbvia. Cartão de mercado e cartão de banco funcionam diferente, cobram diferente, e um pode ser armadilha enquanto o outro é vantagem — dependendo de como você usa. Vamos direto aos números reais para você decidir com informação.
Juros do rotativo: cartão de mercado perde feio
Se você pagar menos que o total da fatura e deixar saldo no rotativo, cartão de mercado cobra muito mais caro. Enquanto cartões de banco grande cobram 10-13% ao mês no rotativo, cartões de mercado e lojas cobram 12-17% ao mês — alguns chegam a 20% ao mês.
Exemplo real: Você deixou R$ 1.000 no rotativo por 3 meses.
- Cartão de banco (10% ao mês): Total devido vira R$ 1.331
- Cartão de mercado (15% ao mês): Total devido vira R$ 1.520
Diferença de R$ 189 em apenas 3 meses. Se você tem costume de pagar o mínimo ou deixar saldo no rotativo, cartão de mercado é cilada. Nesse quesito, cartão de banco é mais barato.
Parcelamento “sem juros”: a pegadinha do preço inflado
Cartões de mercado adoram oferecer “parcele em 6x sem juros”. Mas aqui está o truque: o preço já está inflado para cobrir os juros. Você não paga juros explícitos, mas paga no preço final.
Teste prático: produto de R$ 100 à vista em dinheiro. No cartão da loja “sem juros” em 6x, vira R$ 120 (R$ 20 por mês). Você pagou R$ 20 a mais — são os juros embutidos. Taxa efetiva: cerca de 3-5% ao mês.
Já no cartão de banco, se você parcelar com juros explícitos, a taxa fica entre 3-8% ao mês dependendo do banco e da quantidade de parcelas.
Resultado: praticamente empate. A diferença é que no cartão de banco você vê os juros claramente, no cartão de mercado os juros estão escondidos no preço.
Anuidade: cartão de mercado geralmente não cobra
Aqui o cartão de mercado ganha. A maioria não cobra anuidade — nem no primeiro ano, nem nunca. Cartões de banco cobram de R$ 150 a R$ 800 por ano (alguns isentam se você gastar um valor mínimo).
Se você usa pouco o cartão, não compensa pagar R$ 300/ano de anuidade. Nesse cenário, cartão de mercado ou banco digital sem anuidade são melhores. Mas se você usa muito e aproveita benefícios (milhas, cashback, seguros), a anuidade pode se pagar.
Limite: cartão de banco oferece muito mais
Cartões de mercado têm limites baixíssimos: R$ 300, R$ 500, R$ 1.000 no máximo. Cartões de banco começam em R$ 500 mas podem chegar a R$ 5.000, R$ 10.000, R$ 50.000+ dependendo da sua renda e histórico.
Por que isso importa? Duas razões. Primeira: se você usa 100% do limite (comum em cartão de mercado porque o limite é baixo), seu score cai.
Segunda: você não tem margem para emergência. Se precisar fazer uma despesa urgente de R$ 1.500 e seu cartão de mercado tem limite de R$ 500, você está travado.
Quando cartão de mercado compensa (e quando não)
Vale a pena ter cartão de mercado se:
✅ Você compra SEMPRE naquele lugar (supermercado do bairro, farmácia perto de casa)
✅ O desconto de 10-20% é real e recorrente
✅ Você SEMPRE paga a fatura completa no vencimento
✅ Você não tem outros cartões atrasados (não vai acumular mais uma dívida)
NÃO vale a pena se:
❌ Você tem dificuldade de pagar fatura completa (vai rodar no rotativo caro)
❌ Já tem 3+ cartões e não consegue controlar todos
❌ Você raramente compra naquele lugar específico
❌ Você está negativado e fazendo o cartão “porque aprovaram sem consulta”
Cartão de mercado não é inerentemente ruim. É ruim se você usar errado — e a maioria das pessoas usa errado.
A matemática final: qual é mais barato?
Se você paga a fatura completa sempre: Cartão de mercado pode ser mais barato por causa do desconto recorrente (10-15% economizados) e zero anuidade. Empate ou vitória do cartão de mercado.
Se você parcela com frequência: Praticamente empate, ambos embutem juros de 3-5% ao mês, só que de formas diferentes.
Se você paga o mínimo ou roda no rotativo: Cartão de banco é MUITO mais barato (10-13% vs 15-20% do mercado).
Se você precisa de limite alto e flexibilidade: Cartão de banco ganha de lavada.
Conclusão: depende do seu comportamento, não só das taxas.
O que fazer se você já tem dívidas em ambos
Se você tem dívidas acumuladas tanto em cartão de mercado quanto em cartão de banco, não adianta ficar comparando qual cobra menos — você precisa resolver o que já deve antes que vire bola de neve.
O VemproAzul trabalha com negociação de dívidas de cartão de crédito (banco e varejo) e pode conseguir descontos de até 70-90% dependendo do tempo da dívida e da instituição. Em vez de pagar R$ 10.000 de dívida antiga, você pode negociar por R$ 3.000-4.000 e limpar o nome de vez.
Depois de resolver o passado, aí sim você escolhe qual cartão usar no futuro — e usa com disciplina para não cair na mesma armadilha.
A regra de ouro para qualquer cartão
Não importa se é cartão de mercado, de banco, ou de fintech: a regra é a mesma. Se você não consegue pagar a fatura completa todo mês, você não deveria ter aquele cartão.
Cartão de crédito não é extensão de renda. É ferramenta de pagamento. Você usa para comprar o que já tem dinheiro para pagar — só que paga 30 dias depois. Se você está usando cartão para “fazer a compra caber no orçamento” parcelando em 12x, o problema não é qual cartão usar. É que você está gastando mais do que ganha.
Antes de fazer qualquer cartão novo (mercado ou banco), pergunte-se: eu consigo pagar isso à vista com meu salário? Se a resposta é não, não compre. Simples assim.
