Consignado privado CLT: quando ele te ajuda e quando não
Você está afogado em dívidas. Cartão de crédito comendo 10% ao mês, empréstimo pessoal a 6%, carnês atrasados. Aí alguém fala: “pega um consignado CLT, taxa de 2% ao mês, desconto automático na folha, resolve tudo”. Parece a salvação, né?
Pode ser. Ou pode ser só trocar seis por meia dúzia. Consignado privado CLT é a menor taxa de juros do mercado de crédito — mas isso não significa que é sempre a resposta certa. Vamos direto ao ponto: quando consignado CLT realmente reorganiza sua vida financeira e quando é só mais uma dívida disfarçada de solução.
O que é consignado privado CLT e por que a taxa é tão baixa
Consignado CLT é o empréstimo com desconto direto na folha de pagamento para quem tem carteira assinada em empresa privada. A taxa gira entre 1,5% e 3% ao mês muito abaixo de qualquer outro tipo de crédito. O motivo é simples: o banco tem garantia absoluta. O dinheiro sai do seu salário antes de você receber. Você não consegue “esquecer” de pagar. Risco zero para o banco = juros baixos para você.
Você pode usar até 35% da sua margem consignável (35% do salário líquido). Se você ganha R$ 3.000 líquidos, pode comprometer até R$ 1.050 por mês em parcelas de consignado. O prazo vai até 96 meses (8 anos), e a aprovação é mais fácil que empréstimo comum — mesmo com nome sujo, muitos bancos aprovam consignado porque a garantia é o desconto na folha.
Quando consignado CLT é a melhor decisão que você pode tomar
Consignado CLT faz sentido (e muito sentido) quando você tem dívidas caras destruindo seu orçamento. A matemática é brutal a seu favor. Se você deve R$ 15.000 no rotativo do cartão (10% ao mês), em 12 meses você pagaria R$ 28.500 total. Pegando R$ 15.000 no consignado CLT (2% ao mês) e quitando o cartão, em 12 meses você paga R$ 18.000 total. Economia de R$ 10.500 — mais de 50% dos juros.
O mesmo vale para cheque especial (8-12% ao mês), empréstimo pessoal caro (5-8% ao mês), carnês de loja (6-10% ao mês). Trocar essas dívidas por consignado não é “criar dívida nova”, é fazer portabilidade inteligente. Você continua devendo, mas paga MUITO menos. E tem um bônus psicológico: em vez de 5 boletos diferentes que você pode esquecer, você tem uma parcela só que desconta automaticamente. Menos estresse, menos risco de atraso.
Quando consignado CLT é armadilha disfarçada de solução
Agora a parte que ninguém te conta: consignado CLT pode ser cilada se você usar para a coisa errada. Pegar consignado para comprar TV nova, fazer churrasco, viajar, trocar de carro sem necessidade — você está criando dívida de 5, 7, 10 anos para consumir algo que desaparece em meses. A taxa é baixa, mas você vai pagar juros por ANOS em algo que não gerou retorno nenhum.
Outro erro clássico: pegar consignado, quitar as dívidas caras (até aqui tudo certo), mas continuar usando cartão de crédito e criando dívidas novas. Daqui 6 meses você está devendo o consignado E mais R$ 10.000 no cartão de novo. O problema não era a dívida — era o comportamento. Consignado não resolve descontrole; só dá uma segunda chance. Se você não mudar os hábitos, vai piorar.
E tem o risco do desemprego: se você perde o emprego, o desconto automático acaba. Você continua devendo, mas agora sem a facilidade do desconto na folha. Parte da dívida pode ser retida da rescisão (até 35%), mas o restante vira cobrança normal — e alguns bancos aumentam a taxa nesse momento. Então só pegue consignado se você tem estabilidade mínima no emprego e reserva de emergência para bancar 3-6 meses de parcela se der ruim.
E se você já tem consignado com o Banco Mercantil mas algumas parcelas atrasaram, pode renegociar com condições melhores através do VemproAzul, muitas vezes com desconto e prazo estendido.
A matemática que decide: faça a conta antes de assinar
Antes de pegar consignado CLT, pegue papel e caneta (ou planilha). Liste todas as suas dívidas: quanto você deve, qual a taxa, qual a parcela. Depois simule o consignado: quanto você pegaria, qual seria a parcela, quanto sobraria depois de quitar tudo. A pergunta que decide tudo: depois de pegar o consignado e quitar as dívidas caras, vai sobrar dinheiro no seu orçamento mensal ou vai continuar apertado?
Exemplo real: você paga R$ 400 de cartão + R$ 300 de empréstimo + R$ 200 de carnê = R$ 900/mês total.
Pega R$ 20.000 no consignado, quita tudo, e a parcela do consignado fica R$ 700/mês. Você economiza R$ 200 todo mês + elimina o estresse de 3 boletos diferentes.
Faz sentido total. Mas se a parcela do consignado ficar R$ 950 e você continuar apertado igual (ou pior), não adianta nada. Você só trocou dívida de lugar.
Consignado não é para criar reserva de emergência
Uma tentação perigosa: “vou pegar consignado de R$ 15.000, pagar as dívidas de R$ 10.000, e guardar R$ 5.000 como reserva de emergência”. Parece inteligente, mas é péssimo negócio. Você vai pagar juros de 2% ao mês (R$ 300) em cima de dinheiro que está parado na poupança rendendo 0,5% ao mês (R$ 25). Prejuízo líquido de R$ 275/mês.
Se você não tem reserva de emergência, a forma certa é: usar parte do salário para criar aos poucos (R$ 200, R$ 300/mês), não pegar empréstimo para simular que tem. A única exceção é se você está em risco IMINENTE de algo pior — tipo processo de despejo, corte de energia, remédio essencial — e realmente precisa de dinheiro JÁ. Aí sim, consignado pode te salvar. Mas para “ter uma reserva porque é bom ter”, não faz sentido.
O que fazer agora se você decidir usar consignado
Se depois de ler tudo isso você concluiu que consignado CLT faz sentido para o seu caso, siga este roteiro:
Primeiro, liste todas as dívidas que você vai quitar (valores exatos, contratos, credores).
Segundo, simule o consignado e veja se a parcela cabe confortavelmente no orçamento (máximo 25% do salário líquido, não 35%).
Terceiro, pegue o consignado e quite TODAS as dívidas caras NO MESMO DIA — não deixe para “depois”.
Quinto, cancele ou congele os cartões de crédito que te endividaram (pelo menos por 6 meses) para não cair na mesma armadilha.
Sexto, configure um alerta no celular para acompanhar se o desconto está saindo certinho da folha todo mês (erros acontecem).
O Banco Mercantil, parceiro do VemproAzul, oferece simulação online e atendimento para tirar dúvidas antes de você contratar.
