Conta PJ vs Conta PF: Compensa ter as duas?
Todo mundo fala que você precisa separar finanças pessoais e empresariais. Bancários oferecem conta PJ com promessa de vantagens. Contadores recomendam. Mas aí você olha as tarifas… R$ 50, R$ 80, R$ 120 por mês e pensa: será que realmente preciso disso ou é só mais uma despesa?
A resposta não é simples. Para alguns negócios, conta PJ é essencial. Para outros, é desperdício de dinheiro. Vamos direto ao ponto: quando vale a pena e quando você pode economizar esse dinheiro.
Conta PJ não é obrigatória por lei (mas tem pegadinhas)
Aqui está o que ninguém te conta: não existe lei que obrigue MEI ou PJ a ter conta empresarial. Você pode usar sua conta pessoa física para receber de clientes e pagar fornecedores. A Receita Federal aceita, desde que você declare tudo corretamente no Imposto de Renda. Muitos MEIs pequenos fazem isso e não têm problema nenhum, economizam as tarifas mensais e mantêm tudo na mesma conta.
Mas tem três situações que mudam o jogo.
Primeira: bancos podem bloquear sua conta PF se detectarem movimentação comercial alta (acima de R$ 30-50 mil/mês) — eles consideram uso inadequado e te obrigam a abrir PJ.
Segunda: se você precisar de crédito empresarial, maquininha de cartão com taxas menores, ou fazer transferências internacionais, conta PF não vai funcionar.
Terceira: misturar tudo vira caos no Imposto de Renda — você não sabe o que é lucro, o que é gasto pessoal, e pode pagar mais imposto do que deveria ou cair na malha fina.
Quando vale a pena ter conta PJ
A conta PJ compensa quando você fatura acima de R$ 10 mil por mês ou tem movimentação constante com fornecedores e clientes. Nesse volume, você precisa de organização real, saber quanto entrou, quanto saiu, o que é lucro, o que é custo. Conta separada facilita isso.
Além disso, se você usa maquininha de cartão, as taxas de PJ costumam ser 0,5-1% menores que as de PF — numa movimentação de R$ 50 mil/mês, isso significa R$ 250-500 economizados, pagando a tarifa da conta e ainda sobrando.
Outra situação: você quer limite de crédito empresarial, empréstimos para capital de giro, ou antecipação de recebíveis. Bancos só liberam isso para conta PJ — e as taxas são melhores que crédito pessoal.
E se você tiver dívidas tanto PF quanto PJ com o Pagbank pode negociar tudo junto através do VemproAzul com condições melhores e desconto. Instituições como o PagBank oferecem tanto conta PJ quanto linhas de crédito, e centralizar a relação bancária facilita negociações futuras caso precise.
Quando conta PF resolve (e você economiza R$ 600-1.500/ano)
Se você é MEI que fatura menos de R$ 5 mil por mês, tem poucos clientes fixos, não usa maquininha (recebe por PIX/transferência), e não precisa de crédito empresarial agora, conta PJ é desperdício. A tarifa média de R$ 50-120/mês significa R$ 600-1.440 por ano jogados fora. Use conta PF gratuita, controle tudo em planilha simples, e separe mentalmente o que é dinheiro da empresa e o que é seu salário.
O segredo é ter disciplina. Todo dia 5 do mês, você transfere um valor fixo da “empresa” (sua conta PF) para “você” (a mesma conta, mas mentalmente separado) — digamos R$ 2.000. O resto fica como reserva de capital de giro. No IR, você declara pro-labore de R$ 2.000/mês e a empresa como MEI normal. Funciona perfeitamente para negócios pequenos e estáveis.
Decida com números, não com achismo
Antes de abrir ou cancelar conta PJ, faça as contas.
Quanto você paga de tarifa mensal? Quanto você economizaria em taxas de maquininha? Você realmente precisa de crédito empresarial? Seu faturamento justifica? Se a resposta for “não sei” para metade dessas perguntas, comece com conta PJ gratuita e reavalie em 6 meses.
O importante é não pagar por algo que você não usa — e não deixar de ter algo que te faria economizar mais do que custa.
