Demissão e consignado: o que acontece se você sair do emprego
Você pegou um empréstimo consignado porque a taxa era boa e o desconto vinha direto na folha. Mas aí veio a demissão.
E agora? As parcelas que descontavam automaticamente do salário simplesmente param. O banco vai cobrar como? Vai descontar da rescisão?
Vamos direto ao ponto: o que acontece com o consignado quando você perde o emprego e o que fazer para não transformar uma taxa barata em um problema caro.
O consignado funciona enquanto existe salário
O empréstimo consignado tem taxa baixa porque o desconto é automático na folha de pagamento. O banco tem garantia de que vai receber todo mês.
Mas essa garantia depende de uma coisa: você continuar recebendo salário.
Quando você sai do emprego, por demissão, pedido ou término de contrato, o desconto automático acaba. E é aí que começa a confusão.
O banco pode descontar o consignado da rescisão?
A resposta curta: Depende.
O banco pode reter parte da rescisão apenas se houver autorização prévia sua (geralmente dada no contrato original) e respeitando alguns limites.
O que pode ser descontado:
- Parcelas vencidas e do mês da rescisão
- Em alguns casos, algumas parcelas futuras (se previsto em contrato)
Limite legal: O desconto geralmente não pode ultrapassar 30-35% do valor total da rescisão.
Então se você tem R$ 10.000 de rescisão, o banco não pode pegar mais que R$ 3.000 a R$ 3.500 para abater o consignado.
Vencimento antecipado: a cláusula que muda tudo
Alguns contratos de consignado CLT têm uma cláusula perigosa: vencimento antecipado em caso de demissão.
Isso significa que se você for demitido, o saldo total devedor vence imediatamente. Você passa a dever tudo de uma vez.
Como saber se seu contrato tem isso? Procure por termos como “vencimento antecipado” ou “exigibilidade imediata em caso de rescisão”.
Na prática: A maioria dos bancos não exige tudo de uma vez. Eles preferem tentar descontar da rescisão e depois negociar o restante.
Se a rescisão não cobrir tudo: o que acontece
Cenário comum: você tinha 36 parcelas de R$ 500 faltando (R$ 18.000). A rescisão cobriu R$ 3.000. Sobram R$ 15.000.
O que acontece agora:
- O desconto automático acaba – sem salário, não tem como descontar na folha
- Você recebe boletos mensais – precisa pagar por conta própria
- A taxa baixa pode acabar – se não pagar, vira dívida comum com juros altos (6-10% ao mês)
- Seu nome pode ser negativado – consignado atrasado vai para Serasa/SPC
- Pode virar processo judicial – dívida alta sem pagamento resulta em cobrança judicial
É por isso que a situação precisa ser resolvida rápido.
As três opções que você tem
Opção 1: Continuar pagando os boletos
Se você conseguiu outro emprego rápido ou tem reserva, pode simplesmente continuar pagando as parcelas manualmente.
Vantagem: Mantém a taxa baixa do consignado original
Desvantagem: Precisa lembrar de pagar todo mês (não é mais automático)
Opção 2: Quitar com a rescisão
Se recebeu uma boa rescisão e consegue quitar o saldo devedor todo, essa pode ser a melhor opção.
Vantagem: Livre da dívida imediatamente
Desvantagem: Usa sua reserva de emergência quando você mais precisa dela
Faça as contas: vale mais quitar ou usar esse dinheiro para viver enquanto procura emprego?
Opção 3: Renegociar as condições
Essa é a opção mais inteligente na maioria dos casos. Entre em contato com o banco e renegocie:
- Prazo maior (parcelas menores)
- Carência de 2-3 meses (respira antes de voltar a pagar)
- Desconto em juros ou multas
Banco Mercantil, parceiro do VemproAzul, possui a modalidade de consignado CLT e trabalha com renegociação de parcelas atrasadas. Se você está nessa situação, pode negociar condições que cabem no seu bolso atual.
Erros que transformam problema pequeno em gigante
❌ Ignorar mensagens do banco – eles querem negociar, não te prejudicar
❌ Esperar “ver no que dá” – a cada mês sem pagar, os juros sobem
❌ Achar que consignado não pode ser cobrado – sem o desconto automático, vira dívida comum
❌ Usar toda a rescisão sem ter reserva – pode ficar livre da dívida mas sem dinheiro para sobreviver
Conseguiu emprego novo: pode voltar para o consignado
Sim! Se você conseguir um novo emprego CLT, você pode:
1. Transferir o consignado para o novo emprego – continua pagando na folha, sem renegociar
2. Fazer um novo consignado para quitar o antigo – com taxa baixa de novo
3. Reativar o desconto automático – alguns contratos permitem isso se você arrumar emprego em até 90 dias
Converse com o banco e com o RH do novo emprego para ver qual opção é possível.
Se você tem consignado CLT e está enfrentando dificuldades após demissão, o Banco Mercantil, parceiro do VemproAzul, trabalha com renegociação de parcelas em atraso.
A instituição entende que demissão é imprevisto e está aberta a encontrar soluções que permitam você continuar pagando sem comprometer sua subsistência.
Não espere a situação piorar. Entre em contato e negocie enquanto ainda tem margem.
O que fazer agora?
Se você acabou de ser demitido e tem consignado ativo:
- Respire fundo. Você tem opções.
- Pegue seu contrato e veja os detalhes
- Calcule quanto você deve e quanto tem disponível
- Entre em contato com o banco hoje
- Negocie condições que você consegue cumprir
- Foque em arrumar novo emprego enquanto mantém a dívida sob controle
Demissão é difícil. Ter dívida na demissão é pior. Mas ignorar a dívida é o pior de tudo.
Se você não negociar rápido, aquela taxa baixinha vira taxa de empréstimo comum inadimplente, com juros altos, negativação e possível processo judicial.
Mas se você agir nos primeiros 60 dias — renegociando prazo, pedindo carência, ou até quitando com a rescisão —, você consegue manter a situação controlada.
Aja agora.
