Fui demitido e tenho consignado privado CLT em aberto: e agora?
A notícia da demissão já é difícil. Mas quando você lembra que tem um empréstimo consignado CLT rodando, com 24, 36, 48 parcelas ainda pela frente, o coração aperta.
Respira fundo. A situação não é simples, mas tem caminho. E quanto mais rápido você entender o que acontece e agir, mais opções você tem.
Vamos detalhar exatamente o que acontece com o consignado CLT quando você perde o emprego e o que fazer para não transformar um problema temporário em bola de neve permanente.
O que é consignado privado CLT e como funciona
Antes de entrar no que acontece na demissão, vamos alinhar o básico.
Consignado privado CLT é o empréstimo com desconto em folha para trabalhadores com carteira assinada em empresas privadas. É diferente do consignado INSS (para aposentados) e do consignado público (para servidores).
Características do consignado CLT:
- Taxa de juros baixa (1,5% a 3% ao mês)
- Desconto automático no salário
- Não precisa de garantia
- Limite de até 35% da margem consignável
- Aprovação mais fácil que empréstimo comum
O consignado CLT funciona porque o banco tem garantia: o desconto vem direto do salário antes de você receber. Risco de inadimplência é baixíssimo.
Mas essa garantia depende de uma coisa: você continuar empregado.
O que acontece no momento da demissão
Quando você é demitido, o vínculo empregatício acaba. E junto com ele, o desconto automático na folha.
Nos primeiros dias:
Se você foi demitido no meio do mês e ainda tem salário proporcional + férias + 13º a receber, o RH pode descontar a parcela do consignado antes de liberar sua rescisão.
Isso é normal e está previsto em contrato.
Limite de desconto na rescisão:
O banco não pode simplesmente pegar todo o dinheiro da sua rescisão. Existe um limite legal de quanto pode ser retido:
- Até 35% do valor total da rescisão pode ser usado para abater parcelas do consignado
- FGTS é intocável (não pode ser descontado)
- Verbas essenciais para subsistência têm proteção
O saldo devedor não desaparece
Esse é o erro que muita gente comete: achar que depois que descontaram da rescisão, pronto, acabou. Não acabou.
O que foi descontado da rescisão abateu parte da dívida. Mas o restante continua existindo e agora sem o desconto automático na folha.
O que acontece com o saldo restante:
- O desconto automático acaba — sem salário, não tem de onde descontar
- Você passa a receber boletos — as parcelas viram cobrança comum
- A taxa pode mudar — alguns contratos preveem aumento de juros após demissão
- Se não pagar, negativam — consignado atrasado vai para Serasa/SPC
- Pode virar processo judicial — dívida alta sem pagamento resulta em cobrança judicial
É por isso que você precisa agir rápido.
A taxa de juros muda depois da demissão?
Depende do contrato.
Cenário 1: Taxa continua a mesma
Alguns bancos mantêm a taxa original do consignado (1,5-3% ao mês) mesmo depois da demissão, desde que você continue pagando os boletos em dia.
Nesse caso, só muda a forma de pagamento (boleto em vez de desconto automático), mas as condições continuam boas.
Cenário 2: Taxa aumenta
Outros bancos preveem em contrato que após a rescisão do vínculo, a taxa passa a ser de “empréstimo pessoal comum” — que pode ir para 4%, 6%, 8% ao mês ou mais.
Isso acontece porque você deixou de ser “baixo risco” (consignado) e passou a ser “risco normal” (empréstimo sem garantia).
Como saber o que vai acontecer no seu caso?
Pegue seu contrato de consignado e procure por:
- “Em caso de rescisão do vínculo empregatício”
- “Vencimento antecipado”
- “Alteração de taxa de juros”
Se tiver dúvida, ligue para o banco e pergunte ANTES de parar de pagar.
As 4 opções que você tem
Opção 1: Continuar pagando os boletos normalmente
Se você conseguiu outro emprego rápido, tem reserva de emergência, ou tem outra fonte de renda, você pode simplesmente continuar pagando as parcelas por boleto.
É vantajoso porque:
- Mantém a taxa baixa do consignado original
- Não precisa renegociar
- Nome continua limpo
- Histórico positivo no seu score
Opção 2: Quitar antecipadamente com a rescisão
Se você recebeu uma boa rescisão e pode quitar todo o saldo devedor de uma vez, essa pode ser a melhor opção.
É vantajoso porque:
- Livre da dívida imediatamente
- Pode conseguir desconto nos juros futuros (alguns bancos dão)
- Elimina uma preocupação em momento difícil
Faça a conta: Vale mais a pena quitar ou usar esse dinheiro para viver enquanto procura emprego?
Se a taxa do consignado é baixa (2% ao mês) e você vai demorar 3-4 meses para arrumar emprego, pode ser melhor guardar o dinheiro da rescisão e ir pagando as parcelas aos poucos.
Opção 3: Renegociar as condições
Essa é a opção mais inteligente na maioria dos casos.
Você entra em contato com o banco e renegocia:
- Prazo maior (parcelas menores que cabem no seu bolso)
- Carência de 2-3 meses (você respira antes de voltar a pagar)
- Desconto nos juros (alguns bancos dão para evitar inadimplência)
- Parcelamento do saldo (em condições melhores)
O Banco Mercantil, que oferece a modalidade de consignado CLT, trabalha com renegociação justamente para essas situações. Se você está nessa condição, demitido com consignado em aberto, pode negociar condições que permitam você pagar menos e com mais prazo.
O banco prefere receber de forma negociada do que ter prejuízo com inadimplência.
Opção 4: Transferir o consignado para o novo emprego
Se você conseguir um novo emprego CLT rapidamente, alguns bancos permitem transferir o consignado para a nova empresa.
Como funciona:
- Você informa o banco que foi contratado em novo emprego
- O banco entra em contato com o RH da nova empresa
- Se a nova empresa tiver convênio com o banco, o desconto volta a ser automático na nova folha
- Você volta a ter as condições originais do consignado
Atenção: Isso só funciona se:
- A nova empresa tiver convênio com o banco do seu consignado
- Sua margem consignável no novo emprego for suficiente
- O banco aceitar fazer a transferência
Vale perguntar, pode ser a solução mais simples de todas.
O que NÃO fazer quando você é demitido com consignado
❌ Ignorar as mensagens e boletos do banco
Ignorar não faz a dívida sumir. Só faz ela crescer e virar problema maior.
❌ Esperar “ver no que dá”
Cada mês que passa sem pagar, os juros sobem. Aja nos primeiros 30 dias.
❌ Achar que por ser consignado você não pode ser cobrado
Consignado é um tipo de empréstimo. Sem o desconto automático, vira dívida comum.
Se você tem consignado CLT e foi demitido, o Banco Mercantil entende que demissão é imprevisto, não má intenção.
A instituição trabalha com renegociação de consignado CLT e pode oferecer:
- Redução de parcelas
- Extensão de prazo
- Carência para reorganização
- Condições que cabem na sua realidade atual
Não espere a situação virar bola de neve. Entre em contato e negocie enquanto você ainda tem margem.
Ser demitido com consignado CLT em aberto é difícil. Mas não é o fim do mundo.
Se você não negociar rápido, aquela taxa baixinha de 2% ao mês pode virar 6%, 8% ou mais. E o que era uma dívida tranquila vira bola de neve com negativação e processo judicial.
Mas se você agir nos primeiros 60 dias — renegociando prazo, pedindo carência, transferindo para novo emprego, ou até quitando com parte da rescisão — você consegue manter a situação controlada.
Demissão é fase difícil. Dívida descontrolada é pior. Aja agora.
